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O desejo de adquirir um carro novo ou seminovo é comum a muitos brasileiros, mas o financiamento, assim como na compra de um imóvel, exige uma entrada que pode pesar no orçamento. A entrada tradicionalmente funciona como uma garantia para as instituições financeiras e costuma variar entre 10% e 30% do valor total do veículo.
Embora o financiamento 100% (cobrindo o valor total do carro) seja menos comum e dependa de fatores específicos do cliente e do mercado, existem caminhos estratégicos e alternativas para concretizar a compra sem precisar desembolsar grandes quantias à vista.
Este texto detalhado explora as possibilidades reais e os cuidados que você deve ter ao buscar um financiamento de carro sem entrada.
A Regra e a Exceção: Por Que a Entrada é Quase Sempre Exigida
Para entender como contornar a entrada, é preciso saber por que ela é solicitada. Carros perdem valor rapidamente (depreciação). Se o financiamento cobrir 100% do valor e o comprador deixar de pagar as primeiras parcelas, o banco terá prejuízo ao retomar o carro, pois o valor de revenda será menor que o valor da dívida. A entrada minimiza esse risco inicial.
A exceção para o financiamento 100% do valor do carro geralmente ocorre quando:
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O Cliente tem um Excelente Score de Crédito: Pessoas com histórico financeiro impecável, renda alta e score de crédito excelente são consideradas de baixíssimo risco, e alguns bancos e financeiras podem flexibilizar a exigência da entrada.
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O Valor do Carro é Baixo: Para veículos seminovos de baixo valor, a entrada pode ser reduzida ou eliminada, pois o risco total envolvido é menor.
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Promoções de Bancos de Montadoras: Em períodos promocionais (como feirões ou fim de ano), os bancos ligados às montadoras (ex: Banco Fiat, Banco GM) podem subsidiar parte do risco para impulsionar as vendas, oferecendo o financiamento total.
Estratégia 1: Utilizando o Carro Usado como Entrada (Troca com Troco)
A maneira mais prática e comum de financiar um carro novo sem colocar dinheiro no bolso é dar o seu veículo usado como parte do pagamento.
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Avaliação do Usado: A concessionária avalia seu carro. Se o valor da avaliação for igual ou superior ao valor da entrada exigida pelo novo veículo, a necessidade de desembolso à vista desaparece.
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Troca com Troco: Em alguns casos, o valor do seu carro usado pode ser superior ao valor da entrada. A diferença (o troco) pode ser usada para cobrir custos adicionais (IPVA, seguro) ou até mesmo ser depositada na sua conta, permitindo que você saia com o carro novo e dinheiro extra, sem ter dado entrada.
Essa estratégia é facilitada se o seu carro usado estiver quitado e em bom estado de conservação.
Estratégia 2: Financiando Custos Acessórios e Negociando o Valor Total
Embora o financiamento integral do carro seja difícil, algumas instituições permitem incluir outros custos na operação, liberando seu capital para a entrada.
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Inclusão de Despesas: Em vez de financiar apenas o veículo, você pode negociar com a financeira a inclusão de despesas como emplacamento, IPVA ou o seguro prestamista (seguro que quita a dívida em caso de imprevistos) no montante financiado.
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Margem para Negociação: Busque concessionárias que aceitem margens de negociação mais amplas. Se o vendedor conseguir um desconto ou um valor de avaliação do seu usado mais alto, isso pode absorver o valor da entrada.
Estratégia 3: O Uso Estratégico do Empréstimo Pessoal ou Consignado
Se você não tem um carro para dar como entrada e não se enquadra nas exceções de financiamento 100%, uma alternativa é buscar um empréstimo para cobrir especificamente o valor da entrada.
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Empréstimo Consignado: Se for servidor público, aposentado, ou CLT de empresa conveniada, o empréstimo consignado é a melhor opção. Possui juros muito baixos e a parcela é descontada em folha, garantindo uma entrada barata.
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Empréstimo Pessoal: Utilize esta opção com extrema cautela. A taxa de juros do empréstimo pessoal é geralmente mais alta que a do financiamento do carro. Ao pegar um empréstimo para pagar a entrada, você está criando duas dívidas separadas e pode aumentar significativamente o custo total da sua aquisição. Só faça isso se a taxa de juros for competitiva.
Cuidados Essenciais ao Financiar Sem Entrada
Ao optar por financiar o carro sem entrada, lembre-se que, na maioria das vezes, a ausência do pagamento inicial é compensada com outras condições menos favoráveis.
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Taxas de Juros Mais Altas: Financiar 100% ou 90% do valor do veículo aumenta o risco para o banco. Como resultado, a taxa de juros cobrada costuma ser maior do que a cobrada em um financiamento onde o cliente paga 30% de entrada.
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Aumento do Custo Efetivo Total (CET): Fique atento ao CET. Este indicador inclui juros, taxas e impostos. Um financiamento sem entrada pode parecer atraente, mas se o CET for muito elevado, o valor final pago pelo carro será muito maior.
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Maior Prazo de Pagamento: Sem a entrada, o valor financiado é maior, e as instituições podem sugerir um prazo de pagamento mais longo (ex: 60 ou 72 meses) para reduzir o valor das parcelas. Embora alivie o bolso no mês a mês, isso significa mais tempo pagando juros.
A melhor maneira de financiar um carro sem entrada é planejada. Se você possui um bom score e uma fonte de renda estável, negocie o financiamento 100% diretamente com o banco ou a concessionária. Caso contrário, utilize o seu veículo usado como moeda de troca, garantindo que o seu sonho não se torne um fardo financeiro.